quarta-feira, 5 de março de 2008

É mais belo obedecer a um homem de talento do que guiar um tolo?

Continuando a série "textos requentados", ai vai mais um em homenagem ao Dia da Mulher. Esse foi escrito dia 1º de março de 2007.


Já que meu post sobre "A Mulher de 30 Anos" fez sucesso, foi colar mais um trecho e comentá-lo.

Ele fala do casamento de Julia e Vitor. Ela era uma mulher inteligente, mas ele era um tipinho bem comum. Então, ela o orientava sobre o que fazer na sua carreira. Ai vem a reflexão de Balzac...

Dizia-lhe seu instinto, tão delicadamente feminino, que é muito mais belo obedecer a um homem de talento do que guiar um tolo, e que uma esposa jovem, obrigada a pensar e a proceder como um homem, não é mulher nem homem, abdica todas as graças do seu sexo, sem perder os seus desgostos nem adquirir nenhum dos privilégios que as leis deram aos mais fortes.

E não é que isso acontece até hoje? A mulher pode ser um gênio e ter uma carreira esplêndida. O marido pode ser um zé ruela fracassado. Mas, quando os dois chegam em casa, é ela que tem que se preocupar com a escola das crianças, a roupa que tem que ser lavada, o rancho, os pratos na pia... Se bobiar, ainda tem que cuidar da alimentação do maridinho com o colesterol alto. E o melhor de tudo: isso é a obrigação dela. É o pagamento por não ter nascido com 100 gramas de carne no meio das pernas.

Agora, se o sujeito for bem-sucedido, a mulher se resigna ao seu destino. Ela até pode fazer jornada dupla... Mas ele trabalha duro, é um cara importante, não é mesmo? Ele merece ficar na sala, vendo Jornal Nacional enquanto você dá um jeito na cozinha.

É só olhar ao nosso redor que vemos mulheres desesperadas por ser salvas por um homem. Elas são independentes, trabalham duro, enfrentaram 1001 obstáculos na vida... E aguardam o momento em que um cara fodão irá chegar e resgatá-las no seu cavalo branco. E elas poderão levar uma vida de sonho, onde tudo será mais fácil. Elas não se importam de ter que lavar as cuecas dele, desde que ele as dê um presentinho de vez em quando, como um buquê de flores, um vestido novo ou um dia num Spa.

Tão modernas e, ao mesmo tempo, as mesmas do tempo das nossas avós.